Tensão pré-menstrual - 10.01.2010.
 

Tensão pré-menstrual - 03.05.2008.
 
Tensão pré-menstrual ou síndrome pré-menstrual
 
Dra Mara Diegoli
 
Coordenadora do Centro de apoio à mulher com tensão pré-menstrual do Hospital das Clínicas de São Paulo e autora dos livros: “Vencendo a tensão pré-menstrual” e “A mulher e os sete grandes desafios”
 
Tele (11) 30833343
 
            Síndrome pré-menstrual (SPM)  ou tensão pré-menstrual (TPM) constitui um grande problema na vida das mulheres modernas. Manter tripla jornada de trabalho (profissão, maternidade e cuidados com a casa), exige da mulher um a sobrecarga tanto física como  psíquica que acaba provocando situações de stress e extremo nervosismo, e muitas vezes depressão e ansiedade desencadeadas pela sensação de impotência frente a tantos desafios. A TPM, atua como a primeira manifestação de que algo não está bem, e em muitos casos nada mais é do que a válvula de escape utilizado pelo corpo feminino para exteriorizar aquilo que o corpo está sentindo.
 
            Mas o que é a TPM e porque ela ocorre?
            TPM, como o nome já diz, é um conjunto de sintomas que aparece na mulher, independente da sua vontade, alguns dias antes da menstruação e que desaparece com o fim da mesma. Durante este período, que pode começar 15 dias antes da menstruação e se estender até o fim da mesma, a vida da mulher pode se tornar um inferno tanto para ela como para aqueles que convivem com ela, não só diminuindo a sua produtividade, mas também prejudicando os seus relacionamentos pessoais e profissionais. É um período em que a mulher fica mais irritada, chora sem motivo, explode por qualquer coisa, não tem vontade de fazer nada e ainda sente dores principalmente na cabeça (cefaléia ou enxaqueca), nas pernas e mamas, inchaço e compulsão por comer doce.
            Embora a TPM sempre tenha existido, somente com a entrada da mulher no mercado de trabalho é que ela adquiriu importância a nível econômico. Estudos realizados em vários paises, demonstram que a TPM pode ocorrer de forma moderada em 30% das mulheres durante a  fase reprodutiva, e de forma intensa em 5 a 8% das mulheres. Isto acaba provocando queda não somente na produtividade da mulher, com repercussões para a família e a empresa, mas ainda aumento de gastos na saúde pública pela maior incidência de consultas médicas e compra de medicamentos.
            Embora a fisiopatologia da TPM ainda permaneça, em muitos pontos obscura, muito se avançou neste terreno nas duas últimas décadas, permitindo que surgissem no mercado uma dezena de medicamentos que tornaram a TPM menos severa ou muitas vezes inexistente.
            Dentre os fatores que provocam a TPM, cinco são fundamentais:
-hereditariedade: filhas de mulheres com TPM ou depressão terão maior probabilidade de terem os sintomas
-queda dos níveis de serotonina. Quando a concentração da serotonina (substância liberada nas terminações das células nervosas) cai, a pessoa torna-se mais deprimida, irritada, agressiva e com vontade de comer doces. Na mulher esta queda começa a ocorrer por volta do décimo quinto dia do ciclo menstrual (segunda metade do ciclo), e vai aumentando progressivamente, até atingir o seu ápice 24 horas antes do início da menstruação.
-alterações hormonais. A produção de progesterona (hormônio produzido pelos ovários, após a ovulação), não somente provoca muitos do sintomas físicos que aparecem na TPM , tais como inchaço, dor nas mamas, pernas e baixo ventre, espinha, como ainda diminui os níveis de serotonina piorando a depressão e a irritabilidade. Já a queda dos níveis de estrogênios, provoca a tão temida dor de cabeça.
- aumento na produção de prostaglandinas durante o período pré-menstrual e menstrual, Prostaglandinas: são substâncias que quando produzidas em grande quantidade podem provocar, dor e inchaço.
- fatores externos, tais como o stress, medicamentos, ou determinadas infecções provocadas por vírus ou bactérias, que interferem no sistema nervoso, no sistema imunológico e endócrino, desencadeando os sintomas da TPM.
 
            Embora já se tenha descrito mais de 150 sintomas, os mais freqüentes são: irritabilidade, tensão, ansiedade, depressão, choro fácil, vontade de ficar se isolar, falta de ânimo, agressividade, compulsão por doces, inchaço, dor de cabeça, dores nas pernas, barriga e mamas, espinhas e tudo isto pode piorar pela redução da auto-estima. É muito freqüente neste período a mulher  demitir-se ou ser demitida do trabalho, ou mais frequentemente provocar brigas com o parceiro. Por isto é muito importante entender, que embora a TPM dure apenas alguns dias, suas conseqüências podem durar uma vida inteira.
 
Diagnóstico
 
Para saber se a mulher tem ou não os sintomas da TPM é necessário que ela passe a anotar o que ela sente ao longo do mês e verifique se os sintomas desaparecem após a menstruação.
A tabela abaixo poderá ser útil não somente para fazer o diagnóstico da TPM , mas também para perceber o quanto os sintomas estão interferindo com o seu dia a dia;
 
Tabela para ajudar a mulher a verificar se tem TPM e a intensidade dos sintomas.
( Steiner M, Arch Moments ment Health; 2003)
 
 
Sintomas                                                                ausente    leve    moderado     severo
1- raiva/irritabilidade
2-ansiedade/tensão
3-choro/sensação de rejeição
4-depressão/ desesperança
5-desinteresse pelo trabalho
6- desinteresse pelas atividades domésticas
7- desinteresse pelas atividades sociais
8-dificuldade de concentração
9-fadiga/falta de energia
10-desejo por comida ou doce
11-insônia
12- sonolência/vontade de dormir
13-sensação de opressão ou fora do controle
14: sintomas físicos:
Dor de cabeça
Cólica
Inchaço nas mamas, pernas ou abomen
Dores no corpo
Ganho de peso
 
Verifique de que intensidade os sintomas acima interferem com o seu dia a dia.
 
Intensidade:                                                                    leve    moderada       severa
A-Produtividade ou eficiência no trabalho
B-Nos relacionamentos com colegas de trabalho
C-Nos relacionamentos com a família
D-Suas atividades sociais
E-Suas responsabilidades domésticas
 
Considera-se intenso  ou moderado quando 5 dos sintomas 14 sintomas acima descritos aparecem de forma severa ou moderada.
Intensa: E obrigatoriamente um aos sintomas  para diagnósticos dos itens A,B,C,D,E é considerado severo
Moderada: quando um dos sintomas para diagnóstico dos itens A,B,C.D,E é considerado moderado
 
 
Se os sintomas forem leves, siga as orientações descritas.
Se os sintomas forem moderados ou intensos procure ajuda de um especialista
           
 
Por que tratar a TPM?
 
Para melhorar, não somente a qualidade de vida da mulher mas também a daqueles que convivem com ela.
 
 
Tratamento
 
            O tratamento dependerá não somente da intensidade dos sintomas apresentados, mas principalmente do tipo de sintomas descritos, isto é, se são predominantemente físicos ou psíquicos.
            Para iniciar o tratamento deve-se primeiro classificar os sintomas em leves, moderados ou intensos, e observar se eles desaparecem com a menstruação.
 
            Tratamento da TPM com sintomatologia leve
 
            Existem uma série de dicas que podem ser adotadas, que estão descritas no livro “ A mulher e os sete grandes desafios”, ou no site: maradiegoli.com.br.
São elas:.
1- Aprenda a se conhecer para melhor controlar as suas emoções e as suas atitudes.
2- Evite compromissos importantes nestes dias principalmente reuniões com a chefia. Caso não seja possível, fale o mínimo necessário.
3- Faça exercícios físicos, que melhoram a tensão, a irritabilidade e dão uma sensação de alívio e bem estar.
4- Perca alguns minutos a mais se arrumando, pois sua auto estima está baixa e isto irá ajudá-la a se sentir melhor.
5- Cuidado com a dieta. Evite comidas salgadas para não piorar o inchaço. Tome menos café, para não aumentar a insônia e a ansiedade, e cuidado com os doces. Se não puder evitá-los, coma em quantidades pequenas.
6-Quando tiver pensamentos pessimistas, tente substituí-los por coisas mais alegres. Assista programas humoristicos ou saia para passear e se distrair.
7-Alivie a tensão conversando e se possível, tente rir e contar fatos gozados ou mesmo piadas. Evite diálogos tensos.
8-Faça alguma coisa pelos outros, pois isto a ajudará a esquecer seus próprios problemas e a fará sentir-se melhor.
9- Policie a sua fala: evite criticar alguém, pois qualquer crítica nestes dias, terão uma conotação mais agressiva.
10- Evite tomar qualquer decisão importante nestes dias, seja a demissão do emprego ou o término do relacionamento. Aguarde até o fim da menstruação, onde com certeza as idéias estarão mais claras e com menos emotividade.
 
            Tratamento para a TPM moderada ou intensa
 
            Felizmente hoje dispomos de uma dezena de medicamentos, recentes, que podem aliviar vários dos sintomas da TPM, permitindo que a mulher tenha uma qualidade de vida melhor.
            Dentre os inúmeros medicamentos que surgiram nas últimas décadas, alguns são específicos para a TPM , outros, foram criados para tratar outras doenças, mas a sua utilização pode ser útil nos sintomas da TPM.
 
            A maior novidade surgiu no campo dos medicamentos que atuam no humor. Com a descoberta da fluoxetina e da sertralina (antidepressivos mais modernos, que atuam no humor e no comportamento das pessoas, sem interferir com a atividade motora ou cognitiva) o tratamento de vários sintomas psíquicos passaram a ser realizado tanto pelo médico ginecologista como pelo clínico geral, embora os casos mais graves continuem precisando do acompanhamento psiquiátrico. Mais recentemente, surgiu no mercado a sertralina com  14 comprimidos para ser administrada apenas no período pré-menstrual idealizada especificamente  para mulheres com TPM moderada onde predominam os sintomas psíquicos e que são resistentes a usarem medicamentos quando estão se sentindo bem.Nos demais casos de TPM severa a administração dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina deve continuar sendo contínua,  sem interrupção..
            Outra novidade no tratamento da TPM é a redução na quantidade dos hormônios utilizados como métodos anticoncepcionais. A alteração não ocorreu apenas na dosagem, mas também na composição dos mesmos e na forma de administração. A redução na quantidade de hormônio ingerida pela mulher, para 15mcg ( que pode ser observada na embalagem do medicamento) ou mesmo 20 mcg de etinilestradiol, associada ou não aos novos progestogênios que atuam reduzindo o inchaço, vieram contribuir ainda mais para melhorar grande parte dos sintomas fisicos, tais como a cólica, o inchaço das mamas, a sensação de peso no baixo ventre, além de reduzir o sangramento menstrual.
            Para as pacientes que sofrem de dores abdominais intensas, associada ou não com endometriose, o tratamento ideal é o uso de medicamentos que interrompam a menstruação. Dentre eles, os mais utilizados são: o implante (implante colocado no antebraço), o DIU com hormônio e as pílulas contínuas que contêm somente progestagênios.
            E finalmente, medicamentos específicos lançados para tratar os sintomas físicos, tais como a dor de cabeça, onde pode ser utilizado o paracetamol associado à cafeína, que impede a sonolência, tão freqüente nestes dias  e mais raramente remédios que associam substâncias que além de aliviar a dor provocam relaxamento muscular. Para as demais dores (mamas, pernas, cólica) a melhor indicação são os antiinflamatórios não hormonais.
            Entretanto é importante observar que todos os medicamentos contem indicações e contra-indicações e é necessário conhecê-las antes administra-los.      
            Outras formas de tratamento também podem ser utilizadas não somente para reduzir ou evitar o uso de medicamentos, mas principalmente para melhorar a qualidade de vida destas mulheres. Dentre os tratamentos mais indicados estão, a psicoterapia, que não só ajuda a mulher a se conhecer mas principalmente a saber lidar com suas emoções e os problemas do dia a dia. A utilização de algumas alternativas de origem oriental, tais como a prática do Yoga, da meditação ou mesmo a utilização da acupuntura podem ser muito úteis no dia a dia ou em mulheres adeptas aos métodos não medicamentosos.
           
Resumindo:
 
            A TPM hoje é uma queixa muito freqüente no consultório médico, principalmente do ginecologista, por ser este o profissional a quem a mulher recorre para falar de assuntos não só referentes à menstruação e o ciclo reprodutivo, mas também sobre a sua sexualidade e problemas conjugais. Orientações quanto à mudança no estilo de vida, redução das atividades, ou mesmo auto-conhecimento são necessárias, mas nem sempre suficientes. Em alguns casos é necessário a utilização de outras alternativas, que já estão à disposição das mulheres que desejam melhorar a qualidade de vida, tornando-se mais felizes e produtivas.
 
 
“Centro da Apoio à Mulher com Tensão Pré-Menstrual”
do Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo
 
            O Centro de apoio à mulher com TPM foi criado em 1996, com duas finalidades:
-A primeira e mais importante era a de dar uma assistência à  população feminina que sofria de TPM e não tinha nenhum local especializado para se dirigir, tendo sido frequentemente motivo de anedotas  quando dizia que seu humor mudava nos dias que antecediam a menstruação.
- A segunda, em se tratando de um Hospital escola, era necessário que este Centro se tornasse, como se tornou, um centro de referência, e de pesquisa, onde são produzidos trabalhos de reconhecimento internacional, inclusive por órgãos americanos que controlam todos os trabalhos publicados nas revistas médicas mais conceituadas do mundo (Cochrane library).
            Desde a sua criação já passaram pelo Centro mais de 20.000 mulheres, e durante estes doze anos, vários pesquisas foram realizadas, não somente para avaliar os melhores tratamentos disponíveis para esta síndrome, mas principalmente para criar mecanismos que ajudem a mulher a lidar com problemas do dia a dia, comum na população feminina.
            Dois livros foram escritos pelos responsáveis pelo atendimento: o primeiro, “Vencendo a Tensão Pré-Menstrual” publicado em 1998 (edição esgotada), onde foi abordado não somente a TPM, mas principalmente as conseqüências da TPM na vida profissional e sentimental da mulher; e o segundo: “ A mulher e os sete grandes desafios’, onde além da TPM são abordados os principais problemas ou desafios que a mulher vivencia ao longo da sua vida, da adolescência à menopausa, todos estes resumos de fatos trazidos pelas mulheres durante as suas consultas no Centro de Apoio à Mulher com TPM, do Departamento de Ginecologia do Hospital das Clínicas de São Paulo     
            O ambulatório funciona todas as sextas –feiras, na Clínica Ginecológica da Faculdade de Medicina de São Paulo, e atende em média 20 pacientes por dia. Durante a primeira consulta a mulher explica o motivo pelo qual recorreu ao serviço e até que ponto os problemas estão interferindo com os seus relacionamentos ou no seu trabalho. A seguir elas preenchem um questionário para avaliação do tipo de sintoma que ela apresenta e da sua intensidade. Após isto ela é orientada a levar para casa um gráfico onde são anotados todos os sintomas que ela referiu ao longo do mês. No retorno, uma vez confirmado o diagnóstico de TPM , e afastados outras doenças, principalmente psiquiátricas, elas iniciam o tratamento, de acordo com a sugestão do profissional e a vontade dela.  
            Atualmente o Centro irá abrir novas vagas para iniciar uma série de trabalhos que visam comparar o efeito dos tratamentos medicamentosos ( antidepressivos e hormonais) e não medicamentosos (meditação e acupuntura) em pacientes com TPM.
O objetivo deste trabalho é oferecer a população feminina outras opções de tratamento, baseada em dados científicos, e auxiliar os colegas a optarem por determinado tratamento, dependendo do sintoma aprese

 
 
 
 
 
 
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