INFECÇÃO URINÁRIA A infecção do trato urinário (IU) constitui uma das principais causas de consulta na prática médica, só perdendo para as infecções respiratórias.
O que é ? A IU é a presença de microorganismos em alguma parte do trato urinário. Quando surge no rim, chama-se pielonefrite; na bexiga, cistite; na próstata , prostatite e na uretra, uretrite. Geralmente a IU é causada por bactérias, mas também podem ser provocadas por vírus, fungos e outros microorganismos. A maioria das infecções urinárias ocorre pela contaminação da bexiga ou uretra por alguma bactéria do intestino no trato urinário. Em 80 a 95 % dos casos a responsável pela infecção urinária é a bactéria Escherichia coli. Os sintomas mais freqüentes são: dor, ardência, urgência para urinar e aumento da freqüência.
Porque ocorre? O acesso dos microorganismos ao trato urinário se dá por via ascendente, ou seja, pela uretra, podendo se instalar na própria uretra e próstata, avançando para a bexiga e, com mais dificuldade, para o rim. A infecção urinária pode ocorrer tanto no homem como na mulher, e muitas vezes ela ocorre algumas horas após a relação sexual, pois o atrito do pênis com a vagina pode provocar microfissuras ( pequenos cortes) tanto na vagina como no pênis, e consequentemente provocar a entrada da bactéria no organismo. Existem, entretanto , algumas situações onde a infecção ocorre com maior freqüência, que são: - durante a “lua de mel” , ou quando a mulher tem várias relações no mesmo dia; -após o coito anal, onde o pênis carrega para a vagina as bactérias intestinais, provocando a infecção tanto nele, como na mulher; - após a menopausa, quando o tecido da vagina fica mais frágil, atrófico e mais sensível à sofrer traumatismos; - quando a relação ocorre sem muita lubrificação, e com lacerações.
O que é síndrome uretral? por que ela ocorre geralmente após a menopausa? Embora a infecção urinária possa ocorrer em qualquer época da vida, existe uma síndrome, denominada de síndrome uretral, que ocorre geralmente após a menopausa, e caracteriza-se por ardor, queimação e vontade de ir várias vezes urinar, mas a urina sai em pequena quantidade, sem alívio, ou queimando. Esta síndrome é muito freqüente após a menopausa, quando tanto a mucosa vaginal, como a mucosa da bexiga, tornam-se mais atróficas, e mais sensíveis à infecção ou inflamação, e geralmente os sintomas ficam mais intensos após a relação sexual. Em muitos casos o exame de urina pode dar negativo.
Mais raramente, existem situações ou doenças, que podem fazer com que as bactérias penetrem penetrar no trato urinário pela via sangüínea. Isto ocorre apenas quando existe infecção generalizada (septicemia) ou em indivíduos sem defesas imunitárias como aidéticos e transplantados. A intensidade da IU depende das defesas do paciente, da virulência do microorganismo e da capacidade de aderir à parede do trato urinário.
As infecções urinárias, também são mais frequentes em pessoas que apresentam outras doenças, tais como: -obstrução urinária: próstata aumentada, estenose de uretra, defeitos congênitos e outros; -corpos estranhos: sondas, cálculos (pedras nos rins), introdução de objetos na uretra (crianças); - doenças neurológicas: traumatismo de coluna, bexiga neurogênica do diabetes; - fístulas genito-urinárias e do trato digestivo, colostomizados e constipados; - doenças sexualmente transmissíveis e infecções ginecológicas.
Quais são os sintomas da infecção urinária? O ato de urinar é voluntário e indolor. A presença de:
- dor; - queimação, ardência ou ardor; - dificuldade para esvaziar a bexiga; - urgência miccional (vontade urgente de urinar); - aumento do número de vezes que vai urinar; - saída de pequena quantidade de urina, sem alívio; -urina com mau cheiro, cor opaca, ou com sangue Quando o rim é atingido, o paciente apresenta, além dos sintomas anteriores, calafrios, febre e dor lombar, podendo, algumas vezes, ocorrer cólicas abdominais, náuseas e vômitos.
Como se faz o diagnóstico? A presença dos sinais e sintomas de IU obriga o médico a solicitar um exame comum de urina e uma urocultura. Para isso, é muito importante que a coleta de uma amostra de urina seja feita sem contaminação. A contaminação, geralmente, é de microorganismos da uretra, da região perianal e algumas vezes da tosse ou das mãos que manuseiam os frascos esterilizados. Há quatro métodos de coleta: jato urinário médio, coletor urinário, sondagem e punção da bexiga. Cada um desses métodos tem suas indicações, conveniências e complicações. O médico deve decidir qual é o melhor para o seu paciente. A maioria das coletas é feita pelo jato médio da primeira urina da manhã, após uma higienização bem feita da região peri-uretral. O jato médio é o jato urinário colhido após ter sido desprezada a primeira porção da urina, que poderia estar contaminada por microorganismos da uretra. O exame comum de urina, no caso de IU, apresenta bactérias e grande quantidade de leucócitos (glóbulos brancos), predominando sobre os eritrócitos no sedimento urinário. A cultura de urina mostra um crescimento de bactérias superior a 100.000 germes por mililitro de urina. Esta quantidade de bactérias permite o diagnóstico de IU em mais de 95% dos casos, desde que não tenha havido contaminação. Algumas vezes, em certas situações, um número menor de bactérias, também, pode significar IU. Embora a urina seja estéril e não deva ter bactérias, algumas vezes o crescimento ocorre devido a contaminação durante a coleta da urina.
Tratamento O tratamento da ITU é feito com antibióticos, escolhidos de preferência após os resultados da cultura de urina. Entretanto, isso não é necessário na maioria das vezes. Excetuando-se os casos de infecção dos rins, quando os antibióticos são dados por via venosa, os outros casos podem ser tratados com medicamentos por via oral. A duração do tratamento depende do tipo de infecção urinária e do antibiótico escolhido, podendo durar 3, 7 10 ou 14 dias. É importante que se faça o tratamento durante todo o período prescrito pelo médico, para evitar a recorrência do quadro. Em pessoas que apresentam ITU de repetição (3 ou mais episódios em 12 meses), podemos indicar o uso de antibiótico profilático. Isso significa que a pessoa vai tomar antibiótico diariamente, com o objetivo de evitar o desenvolvimento de ITU. A bacteriúria assintomática, isto é, a presença de bactérias na urina na ausência de ITU instalada, geralmente não necessita tratamento. A exceção é a mulher grávida. Em gestantes, todos os casos de bacteriúria assintomática devem ser tratados com antibióticos, porque essas pacientes desenvolvem mais frequentemente infecções dos rins, que são bastante danosas para a paciente. Durante a investigação das infecções urinárias, podemos encontrar defeitos congênitos ou adquiridos das vias urinárias, os quais podem favorecer ITU de repetição. Alguns desses pacientes podem ser tratados cirurgicamente. Como se faz a prevenção da ITU? Algumas atitudes são de extrema importância na prevenção da ITU, como: • Ingerir bastante líquido (média de 2 litros por dia); • Evitar reter a urina, urinando sempre que a vontade surgir; • Prática de relação sexual protegida; • Urinar após relações sexuais; • Evitar o uso indiscriminado de antibióticos, sem indicação médica. Para as mulheres: • Limpar-se sempre da frente para trás, após usar o toalete; • Lavar a região perianal após as evacuações; • Evitar o uso de absorventes internos; • Evitar a realização de "duchas", "chuveirinhos"; • Evitar o uso constante de roupas íntimas de tecido sintético, preferir as de algodão; • Usar roupas mais leves para evitar transpiração excessiva na região genital. |